quinta-feira, 26 de outubro de 2017

M.U.D.A.R

Os MEUS trinta e três anos prometem.
Nos últimos anos andei muito embalada e envolvida pela maternidade.
Um ritmo delicioso e às vezes violento - também.
Mas é um cansaço bom.
TÃO BOM que tive três filhos num curto espaço de tempo - e teria mais se a vida me permitisse.
Tenho amigos deliciosos que me "raptam" os miúdos e os meus sogros são o nosso equilíbrio.
Mas no dia a dia SOU EU e tenho um prazer enorme nisso.
Acho sempre pouco o tempo que estou com quem amo. 
Sou das pessoas que escolho e me escolhem. 
Sou cada vez mais adepta da vida simples. 
Sou de uma entrega ENORME às minhas pessoas, e pelo contrário não me consigo prender em lugar nenhum.
Preciso de mudanças. De arriscar. De conhecer. Começar de novo. De me dar oportunidade. Preciso sempre de me perder para me voltar a encontrar.
A única rotina pela qual sou apaixonada é aquela, em que todas as noites, encosto os meus ombros aos dos meus filhos. E estamos. Ficamos. Embrulhados, enroscados até adormecer.
Este ano promete porque é de mudança (profissional).
Quando mudo passo sempre por uma "travessia no deserto" - dura mas necessária porque me obriga a olhar para mim. 
Preciso de me encorajar.
Sou eu comigo mesma. A cair e levantar.
A perceber se consigo. Até onde consigo. O que quero. O que preciso.
O mais difícil é perceber quando devemos tentar de novo ou voltar para trás.
Este ano é para me voltar a conhecer enquanto mulher.
(Embora, tendo essa possibilidade e sendo muito GRATA por isso, eu garanta sempre aos meus filhos o beijo da manhã, o caos da tarde e o aconchego da noite).
Levo este desafio como levo a minha vida: solta, cheia de esperança e com o suporte dos MEUS.
Que comecem os TRINTA E TRÊS!!!

(Obrigada a todos por me acompanharem, aos meus amigos que são um SONHO e ao meu marido que é o melhor e maior companheiro DA VIDA!!!) :)







segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Autoestima


Nestes dias em que estou sozinha com eles é tudo muito mais intenso - querem todos a mãe só para eles e eu multiplico-me.
A Maria é a única que continua fiel ao seu espaço, os rapazes ocupam de imediato o lugar do pai na nossa cama.
Preparo uma linha de montagem para a roupa da semana toda e transformo a cozinha numa cantina.
A mesa do pequeno-almoço fica feita de véspera - nesta altura já estou eu quase a cair da tripeça!!!
De manhã acordo uma hora mais cedo - é um exagero mas permite que acordem devagar e não sintam a pressão da pressa (que existe!!!).
Quanto mais cedo acordar - maior a possibilidade - de conseguir dar um jeito ao cabelo e não parecer um urso durante o resto do dia.
Cresci com uma autoestima média - nunca a bater nos joelhos, mas sempre senti insegurança em relação às minhas capacidades.
Agora é diferente, não subiu para o espetacular mas com o tempo caminhou em direção ao sítio certo.
Sempre achei os outros mais capazes do que eu e prejudiquei-me algumas vezes - sinto que teria conseguido fazer igual ou melhor.
Ser esmagada TODOS OS DIAS com tanto amor - como sou - ajudou IMENSO.
A maternidade foi a grande mudança.
Percebi que podia transformar o que sentia em coisas práticas. Em coisas boas.
Foi um nascer de novo.
Em conversa com uma das minhas irmãs (somos 7!!!) ela pediu-me para olhar para mim, para a minha vida, para todas as conquistas pessoais e profissionais. Para as voltas que dei para chegar a quem sou e onde estou.
E sinto-me tremendamente agradecida e feliz!!!
Às vezes somos os principais críticos de nós próprios e na verdade somos enormes - principalmente porque proporcionamos alegria e tranquilidade aos que estão próximos. 
E hoje sinto-me assim :)

(Isto não é um blog de autoajuda foi só um desabafo!!! :))



sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Memórias







Quem partilha a vida comigo sabe que nem todos os momentos são mel.
Nem todas as horas são de paz.
Nem sempre consigo corresponder à atenção que os meus filhos merecem e precisam.
Mas esforço-me para ter as minhas prioridades em ordem.
Roubo muitas horas às noites para conseguir estar verdadeiramente com os meus filhos.
Partilhamos os banhos, as camas, as birras, as angústias, alegrias e os trabalhos de casa.
Partilhamos sonhos e ambições.
Discutimos assuntos, preocupações e vontades.
Tenho uma relação próxima de uma amizade incrível com quem partilha a vida com eles e lhes dá AMOR e SEGURANÇA - educadoras, auxiliares, amigos.
Dou-lhes asas mas atribuo responsabilidades.
Abdico de algumas coisas para lhes dedicar tempo - um dos bens mais preciosos da vida.
O tempo passa, a vida anda, a infância não se repete.
O Salvador está um companheirão, o Vicente um doce e a Maria é maravilhosa.
Estou numa fase de olhar mais para mim. De descoberta e desafios.
As mudanças inicialmente tiram-me um bocadinho a paz.
Mas tenho a alma cheia desta partilha, deste amor, destas relações, desta família.
E por mais profundo que seja o mergulho as águas por aqui são serenas.

terça-feira, 19 de setembro de 2017

Visita guiada

Não consigo imaginar o que é viver sem amor. 
Sem um amor. 
Sem este amor. 
Sem o meu - os meus.
A vida é tão rápida.
A infância passa num ápice.
Nos dias mais agitados, de falta de paz, lembro-me sempre da bênção que é pertencer.
Estar numa família e sentir este amor é motivo mais que suficiente para celebrar.
Reinvento-me. Troco de trabalho. Ajusto-me. Adapto-me. Faço mil coisas sempre com um único propósito: NÓS. 
O meu objetivo na vida é ser a guia desta família. 
Eles já me estenderam o tapete com direito a uma visita guiada ao paraíso: o dia a dia.

[Por falar em paraíso, poucas vezes me senti tão viva como nos Açores]





sexta-feira, 8 de setembro de 2017

A nós


Faz sete anos o meu filho mais velho.
SETE!!!
Já amanhã.
Tenho a sorte grande a morar em minha casa.
É minha responsabilidade cuidar e amar dos meus filhos em cada segundo.
Ser mãe/pai é exigente. 
Não há manuais que nos preparem para este amor tão grande.
E não existe nada mais bonito no mundo do que ver crescer um filho. Cuidar dele.
Hoje estou emocionada e orgulhosa.
Tenho feito TUDO e falhado TANTO.
Luto todos os dias. Dou tudo em casa e fora dela.
Esforço-me por melhores oportunidades para nós, por esta família, ao mesmo tempo que tento ESTAR e SER.
Ser mãe e pai exige muitas cambalhotas, muito espírito de sacrifício, muitas noites sem dormir.
Só depois de os adormecer é que limpo a casa, preparo refeições e trato das coisas (quando ainda tenho alguma força trato de mim).
Tento não sobrecarregar os meus sogros - mas é quase impossível e sem eles não sei o que seria de nós.
Tenho amigos que são segundos pais dos meus filhos. 
Que lhes têm um entrega sem dimensão e por quem eles têm um amor sem explicação.
Há dias que penso que não vou aguentar. 
São três seguidos. É tanta ginástica, tanta logística. 
Mas na maioria deles, MEU DEUS, tenho sido capaz. 
Temos sido família. 
E durante estes sete anos tornei-me, não na melhor mãe do mundo, mas na mulher mais feliz de sempre.
E acertei no pai deles. 
Ele é a nossa casa. Eu só alimento esta estrutura com toda a dedicação, entrega e amor. 
Amanhã é para celebrar. O dia todo esta bênção. 
Parabéns a ti nosso primeiro AMOR.
Parabéns a nós.
Parabéns a todos os pais.

quarta-feira, 30 de agosto de 2017

Investimento


O maior investimento que faço na minha vida é na infância dos meus filhos.
Falo na entrega e energia que deposito aos dias.
A nós.
A eles.
Nunca desejei nada tão profundamente como desejo isso.
Não há famílias iguais.
Nem segredos, conselhos, regras ou livros que nos garantam um saldo positivo final.
O que fazemos é aproveitar o que a vida nos dá.
Esprememos os limões todos - sem desperdícios e partilhamos a limonada.
Adormecemos - quase todas as noites - nos braços uns dos outros, e acordamos tranquilos porque nos temos.
Isso basta-nos.
Damos colo aos nossos sonhos.
Sem pressas nem pressões.
Quero muito que os meus filhos sejam felizes no "ir" mas quero muito mais que sintam o meu colo como o destino onde podem sempre ficar.

[Boa noite]

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

FILHOS


Hoje acordei a pensar que tenho um filho que vai fazer sete anos. 
SETE anos!!!
Entretanto a Maria vai fazer dois daqui a três dias e o vicente cinco.
Todos seguidos.
A nossa vida tem sido cheia de tudo.
Cheia de responsabilidades. Cheia de tarefas. Cheia de caos. Cheia de AMOR.
Eu continuo a fazer-me à vida.
A ser tudo e a dar tudo - todos os segundos.
A tentar ter uma vida melhor. A tentar ser melhor. A tentar gerir.
Fecho portas. Abro janelas. Sempre dividida entre o ir e a importância de estar.
Tenho a mochila do salvador por abrir desde o último dia de aulas.
Convites que acumulei na esperança de me conseguir arrastar até lá com três crianças pequenas.
E só por estes dias "destralhei" as roupas.
Quando olho para estes sete anos de filhos só me lembro da palavra INCRÍVEL.
Há muitos dias que o incrível deixou - e deixa - muito a desejar.
Amigos que se afastaram - ou me afastei [sem querer].
Convites que não respondi.
Encontros que faltei.
Brincadeiras que falhei.
Não é verdadeiramente fácil conciliar trabalhos, horários, tarefas de casa, responsabilidades de escolas, supermercados e três filhos seguidos.
Às vezes ATÉ a nossa vida a cinco dava um bom sketch.
Volta e meia tenho um filho com o cabelo a bater nos ombros, umas unhas por cortar e chamadas por responder desde 1984.
Mas há uma coisa durante estes anos que não tentei, não tento, não tentarei, porque SOU - desde o primeiro minuto - a porta de embarque para a eternidade deste amor.