domingo, 8 de janeiro de 2017

Viagem a 2

SETE ANOS DEPOIS!!!


Se há coisa que não falo muito é da minha infância. 
Foi demasiado confusa para a conseguir explicar a alguém. 
Mas entre tantas coisas, aos dez anos larguei o Alentejo e vim para Lisboa.
Era uma miúda a gerir - ou a tentar gerir - emoções.
E existe outra miúda (que se vai casar daqui a pouco tempo no Rio de Janeiro) que me recebeu de braços abertos.
Vou a esse casamento. Vou aproveitar esta oportunidade maravilhosa.
O meu marido tratou de tudo. Incentivou-me. Vamos juntos.
Falta pouco.
Já estivemos no Rio com o Salvador. Mas o Rui foi em trabalho, o Salvador tinha três meses, foi óptimo e tranquilo.
Desta vez, quase todas as pessoas me encorajaram a ir.
Eu que nunca largo os miúdos, tenho o coração do tamanho de uma ervilha.
Nem o cenário mais incrível me tira o frio na barriga de estar algumas noites sem eles.
Os padrinhos da Maria (que vivem em Londres) vão assegurar que os nossos filhos ficam inteiros.
Vão ficar na nossa casa com eles. Sim é verdade. Vão apanhar um avião de propósito e passar uma semana nesta casa de doidos!!! (Quantas vénias?!)
Estivemos os cinco uns dias em Londres e eles sabem que:
-Os miúdos têm dias maus.
-A Maria dorme pessimamente.
-O Vicente tem um final de tarde complicado entre sono, atenção e birra.
JURO que não lhes escondi nada!!!
Tudo isto serviu para perceber que é incrível a vida, se nos rodearmos das pessoas certas.
Que o meu marido tem imensa vontade de estar comigo. SOZINHO!!!
E de como estamos rodeados de gente mais do que especial.
(Amigos e familiares ofereceram-se para que não deixássemos de ir :)
Ainda assim não sei se como vou sobreviver sem estes índios.
Sem estas mãos. Estes pés. Estes beijos. Esta paz. Este reboliço.
Sei que praticar o desapego tem o seu lado bom, mas as saudades - as saudades, meu Deus, são tramadas!!!
Torçam para que tudo corra bem.
Que eu sobreviva a esta ausência.
E que o Nuno e a Inês não precisem de um psicólogo depois desta semana!!!
(EU VOU PRECISAR!!!)

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

(Sempre) em construção





Eu sempre fui uma miúda irrequieta - isso não mudou NADA.
Inquieta. Determinada. Intuitiva. Apaixonada.
Sou torta de feitio mas inteira na entrega que tenho a tudo o que me proponho [pessoal e profissionalmente].
A nossa família está sempre em construção, mas há uma coisa que se mantém sempre: a paixão, a entrega e gratidão que temos por ela. 
E embora sinta que falho na atenção individual que cada um deles merece, há uma coisa que sou exemplar: no aconchego.
O coletivo vence ao individual. 
Tenho braços para todos. Adoro dar colo. E não há proposta que ganhe a um programa de mantas e filmes com os meus filhos.
Este ano quero mudar definitivamente algumas coisas.
A mudança começa por mim.
O que quero mesmo - com muita vontade - é usufruir mais. 
Sim mais ainda. Relativizar mais.
Tempo. Disponibilidade. Tranquilidade.
Foco no essencial. 
Não consigo gerir SEMPRE bem o final do dia com os três, quando estou sozinha.
O livro que o Salvador tem para ler ficou fechado na mochila. O jogo que o Vicente queria jogar sem a Maria interromper, não correu bem. E a atenção exclusiva que a Maria tanto exige é dividida por todos. 
Todos ajudamos todos. 
Há uma partilha enorme. 
O Salvador não é o melhor aluno, mas é mestre a gerir conflitos.
O Vicente lava os dentes dele e ajuda a Maria a lavar os dela. 
Há dias (tão caóticos) que dormem de fato treino para facilitar a logística da manhã.
Podem falhar passos na nossa rotina, mas evito que falte a paciência, a tranquilidade e a disponibilidade.
O aconchego tem de estar em dia.
Não quero tralha. 
Não quero passar tempo com quem nos diz pouco, ou nada nos acrescenta.
E devagar o nosso "ninho" vai ficando menos poluído e mais harmonioso. 
Há uma coisa que adoro em casa. A mesa da cozinha. Pequena de madeira. Onde nos sentamos todos. Encolhidos e com os ombros a bater uns nos outros. 
(Temos uma mesa enorme na sala que não usamos).
Escrevo isto, com os três em cima de mim. 
Dormem ferrados. Alinhados e aninhados. 
(Há melhor que isto?!)

(O meu marido começou o ano da pior maneira - uma queda GIGANTE na casa de banho, enquanto dava banho aos miúdos. Estava de pé, escorregou e bateu com a cara na banheira com imensa força. Foi um susto enorme. Tem a cara feita num oito. Ele está bem e as crianças não ficaram traumatizadas com o aparato.
(EU IA MORRENDO COM O SUSTO - JURO!!!)
Quando ele chegar do trabalho vou mimá-lo, porque as construções são diárias e ele merece o mundo)

quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Este é para ti




(É piroso - mas hoje permitam-me escrever sobre a pessoa - a minha pessoa.
O homem que monta e desmonta a tenda sempre que me apetece o pôr do sol noutro lado...)

Sim hoje é sobre ti.
Tu que me dás colo.
Que não deixas que nunca nada me falte.
Não cobras nada - nunca.
Conheces os meus dias tristes.
As minhas fragilidades. 
És tu quem nos conduz aos sítios mais incríveis.
Sempre pronto.
Quem mais me admira.
És muito mais do que marido.
És o meu companheiro de vida.
C.O.M.P.A.N.H.E.I.R.O.
(É mesmo para parar e pensar nesta palavra)
Escrever sobre quem amamos, parece sempre um bocado ridículo.
Mas confiem em mim, a privação de sono abala.
Destrói. 
É dura.
A Maria dorme muito pouco.
As nossas noites são iguais aos dias. 
Mas é aqui que o amor se revela.
Temos sido companheiros incríveis.  
Sou orgulhosa da boa "parelha" que formamos.
Não porque a vida nos seja fácil, mas porque nunca nos encostamos à sombra da bananeira. 
(E ninguém imagina como estamos a precisar!!!)







sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Ainda danço!!!

{Este fenómeno chamado sair à noite, acontece uma vez de três em três anos!!! Consegui arranjar-me para uma festa (com a Maria a reboque), dançar até me doerem as pernas e sentir que no meio desta confusão, ainda estou tão viva!!!}


Não me inibo nada de falar sobre mim própria.
Das escolhas diárias que faço, para me aproximar do que quero ser - e ainda me falta TANTO!
Vou limando as arestas da impulsividade, e seguro com unhas e dentes o meu otimismo e espontaneidade.
A facilidade que tenho em amar. Em dedicar tudo o que sou a todos os que amo.
Há dias que olho para mim com admiração e orgulho. 
Quando sobrevivo inteira e sozinha a estes três miúdos - dias a fio. 
Quando consigo gerir com tranquilidade o trabalho e a família. E quando faço felizes os que me são próximos (vivo para isso).
Depois há aqueles dias que tudo nos sai ao contrário - e eu sou perfeita a meter o pé na poça. 
A idade, os filhos, as concretizações ajudam neste bem estar interior.
Apesar de ser impossível não reparar no meu ar cansado, o meu sorriso é completamente revelador.
Deixo-me levar completamente pelas emoções. 
Deixo-me ser transportada pela vida.
Hoje estou de folga. 
Devia estar relaxada e de pernas esticadas. 
Mas não deixei que a preguiça levasse a melhor. Estou a aproveitar a Maria como filha única, enquanto os rapazes não chegam da escola. 
Às vezes é mesmo preciso olhar de soslaio para o cansaço.
Ainda tenho presépios para montar, cartas por escrever ao Pai Natal, trabalhos de casa para corrigir, e tudo às avessas.
Em simultâneo, tenho "destralhado" tudo em casa.
De ponta a ponta.
Nao quero nada que não sirva.
Que não se use.
Que seja tralha.
Não quero brinquedos a mais.
Sapatos a mais.
Já tenho sacos cheios para dar.
Tenho tratado pouco do corpo (roubo muitas horas ao sono), mas tenho a alma a caminhar para o sítio certo.
Este mês, a nossa família anda a reboque das nossas andanças.
Enquanto andamos mais ocupados com o trabalho, os miúdos constroem memórias profundas com os avós, com a promessa que em Janeiro vos deixamos sossegados!!! :)
(A Maria adormeceu)
Vou apanhar os tupperwares espalhados pela casa.
Se não conseguir vir aqui antes: BOAS FESTAS pessoas maravilhosas!!!


A minha companheira de hoje!!!

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

Detalhes dos nossos dias

O meu amor por vocês está em todo o lado.
Nos detalhes deliciosos dos nossos dias.
No simples.
Quando abro a janela e deixo que o sol vos desperte, devagarinho. 
No aconchego quando vos deito.
Em cada segundo empregue na construção da nossa família. 
Na liberdade que vos dou.
No abraço agradecido que dou ao vosso pai, depois dele embalar a Maria durante a noite. 
Nas paredes de casa. A nossa casa - onde crescemos e nos ajustamos. 
Nas pinhas que pintamos à noite na varanda - quando eu já estou no limite do cansaço.
Nas emoções que não escondemos. Na transparência das nossas fragilidades.
Não há receitas que não sejam falíveis.
Não sigo receita nenhuma. Só a minha intuição.
E dou tantas cambalhotas, conforme é possível para meter o tempo a nosso favor.
Porque vos amo incondicionalmente - aos quatro.
E tenho uma vontade enorme de saborear cada momento juntos.
A ambição de NOS ver crescer.
Vocês fazem-me sonhar com tudo o que está para vir.

(Não vivemos de acordo com o que outros pensam. O que é suposto, ou comum. Somos muito mais nós quando estamos de pés descalços a explorar um lugar qualquer. E agora com uma vontade gigante de comprar uma autocaravana e fugir por aí...)









terça-feira, 8 de novembro de 2016

Gestão do tempo

São três. São seguidos. São elétricos e maravilhosos (não resisto).
O nosso segredo está na rua. 
Nas brincadeiras fora de casa. No sítio onde vivemos. 
Estão num fase que exigem muito. IMENSO!!!
O Salvador em adaptação ao primeiro ano. Os trabalhos de casa tiraram-nos um bocado a liberdade que tínhamos. Não havia responsabilidades. Era chegar e brincar. 
O Vicentinho quer as atenções todas para ele. 
A Maria começou a dar os primeiros passos. 
A alvorada pode acontecer às seis e meia da manhã. Às vezes, por milagre, alinham os sonos e descansam até às nove (no caso de ser fim de semana).
Para ser ainda mais desafiante, temos refeições para fazer, roupas para passar/lavar/estender. Coisas para arrumar e um sem fim de coisas...
Não temos ajuda diária em casa e há tarefas que precisam MESMO ser encaixadas neste ritmo alucinante. 
Um bom truque: a nossa casa tem cada vez menos móveis e mais flores.
Temos os nossos trabalhos. O do Rui mais exigente a nível de horários e tempo que passa/dorme fora.
Eu mais cansada porque seguro as pontas muitas vezes sozinha. Três são três e convém que eu também consiga tomar banho de vez em quando!!! :)
Mas os nossos horários desencontrados, encontram-nos a nós.
Temos tempo a dois. Temos tempo a cinco. Temos tempo.
Conseguirmos ser família para além das responsabilidades.
E no meio do caos.
Das birras dos miúdos.
Das pegas entre irmãos - é o pior, um desgaste.
Dos horários desencontrados.
Do cansaço de quem dorme tão pouco.
Há sempre tempo para nos alinharmos.
Para estarmos.
Para respirarmos.
Sem ruídos. 
Sem o resto do mundo.
Só nós...





segunda-feira, 31 de outubro de 2016

Uma voz risonha

Dia trinta de manhã uma voz risonha acordou-me:
-Mãe acorda!!! São os meus anos!!!
Agarrei nas coisas que já tinha preparado e saímos de casa.
As celebrações são para ser levadas a sério.
O meu amor por ti é tanto, que às nove da manhã já andava eu de bandeirolas em riste, enquanto apagavas as tuas velas.
O teu sopro é o meu sopro. E o nosso fôlego é gigante.
Celebramos a tua vida. Os teus sonhos. 
O mundo já tu conquistaste, com a tua alma inquieta e carinhosa.
Uma fotógrafa que adoro, diz que o filho do meio é como uma coca-cola agitada a duas mãos... 
Um furacão.
És tu.
És dos meus, meu amor.
Dos que agitam as águas.
Opinativo.
Proactivo.
FELIZ!!!
Cheio de personalidade. De vida. De intensidade.
Porque a vida é para ser vivida.
Os dias para serem esticados.
Os minutos para serem gozados.
Cada segundo conta.
Tu és o já. És o agora.
A vida encarrega-se de te ir equilibrando.
Parabéns filho!!! Parabéns meu amor, meu tudo.
{Dizem que no meio é que está a virtude}
E já vão quatro anos de TI, e de um EU muito mais bonito!!!
Amo-te ❤