segunda-feira, 28 de março de 2016

Viajar. Conhecer. Fugir.







É incrível. 
Quase inacreditável que a Maria faz amanhã sete meses.
Eu e a Maria ainda somos muito uma só. Adoro. Não me canso. 
Sou completamente apaixonada por bebés, por esta fase e pela maternidade.
O meu marido diz que nasci para isto!!! 
Aproveito todos os segundos. Todos, todos, todos. 
Daqui a um tempo começo a trabalhar e vou morrer de saudades.
Entre o colo, a cadeirinha e o sling a Maria vai connosco para todo o lado - sejam viagens grandes ou pequenas. Nós andamos quase sempre juntos.
A família está completamente rendida.
A Maria é adorada pelos irmãos. 
Conhecida no supermercado. 
E tudo faz prever que de sossegada não vai ter nada.
O meu marido tem umas olheiras gigantes.
Andamos cansados, estafados, mas imensamente felizes. 
Ter filhos, tratar de uma família implica muito espírito de sacrifício. 
Fazer feliz quem está connosco. Tratar da casa, cuidar de nós.
Arranjar tempo para os amigos. Namorar. Tratar dos miúdos. Trabalhar. 
É um equilíbrio duro. Quando se folga do trabalho, não se folga em casa.
Três filhos pequenos não dão direito a sofá, nem a filmes, mas é uma paixão.
Dá muito trabalho. Mas temos a casa e a vida cheia. 
Somos tranquilos, não levamos a vida muito a sério. 
Vivemos com paz os miúdos e os dias. 
Este fim de semana no meio do Alentejo senti a felicidade em cada bocadinho da minha alma.
Senti-me viva, grata e feliz.
Porque nos temos.
Isso é tudo. TUDO.
Não há famílias perfeitas. Ninguém tem tudo.
Nós também temos dias tristes, momentos difíceis, desafios complicados, mas temos uma vontade gigante de VIVER e aproveitar.
Trabalhamos para ir. Para viajar, conhecer, fugir. 
Sete meses de Maria. 
Cinco anos de Salvador.
Três anos de Vicente.
E muitos anos de nós. 

quarta-feira, 16 de março de 2016

A vida espera por eles

"Tudo isto é teu
A terra é tua serventia
Mas vais ter de lutar
Por ela e por ti em cada dia"
Rui Veloso

Maria, seis meses

O que mais preservo na vida é a família, a união e a partilha. 
É possível incutir neles este espírito sem criar filhos dependentes e pouco autónomos.
Esse equilíbrio é difícil mas maravilhoso.
Temos de aprender a lidar com os nossos medos - é uma tarefa complicada!!!
O Salvador com cinco anos vai acampar pela primeira vez. São cinco dias, quatro noites.
Não fala de outra coisa. 
Diz-me que quando tiver saudades vai ao coração dele buscar-me. 
Eu vou trabalhar o desapego {nunca fiquei sem ele tantos dias} e até me dói a alma.
Amar é deixar viver estando aqui para proteger.
O Salvador e o Vicente são dos afetos e da família.
Uma proteção por mim e pela irmã incrível.
Mas já só querem é viver e explorar. 
Resta-me a Maria que ainda não sabe que existe mundo para além de nós. 
E todos os dias me dá esta imagem do paraíso. 
Ser mãe é amar e deixar ir, mantendo as mãos por baixo. 
Amo-vos tanto e incondicionalmente.





quarta-feira, 9 de março de 2016

Entrega total

Salvador pequenino
Vicentinho pequenino
Maria

As fotografias estão por ordem de chegada.
Salvador, Vicente e Maria.
Sou grata pela oportunidade que tenho de ser mãe deles.
Com todas as implicações e responsabilidades.
Para o bem e para o mal, para sempre. Sempre.
Não há amor como este. A entrega é plena.
Uma realização gigante.
Um sentido para a vida.
Quando os meus filhos nasceram fez-se luz a um sem fim de coisas.
Percebi como é tão bom viver cada dia. Mesmo cada dia. 
Cada minuto conta. E cada segundo sabe a pouco quando estamos com quem amamos. 
O privilégio que tenho simplesmente por existir e olhar para eles.
Hoje acordei com os três a rebolar em cima de mim. Uma festa.
Beijos, abraços, palavras bonitas.
Eu e o meu marido somos iguais com eles, afetuosos, carinhosos, entusiastas.
Emociono-me imenso com as alegrias e frustrações deles.
Das coisas que adoro em mim é a capacidade de sentir. Sentir tudo e tanto. 
Eles sabem que o que mais valorizamos é o tempo em família. 
Tratar uns dos outros.
Não queremos ter. Queremos ser. E estar juntos o máximo de tempo possível.
Somos igualmente exigentes em determinadas coisas. 
Para que sejam gratos e educados. 
Os rapazes são expansivos, efusivos e meigos.
Acredito que por serem tão amados, têm esta capacidade gigante de amar. 
Rezo para que não a percam. 
Que continuem alegres, pró-ativos e sensíveis ao que os rodeia.  
Que privilegiem o amor. 
Saibam apreciar a vida. Dar valor a acordar todos os dias. 
Por muito que me doa vê-los crescer, essa é a lei da vida.
A minha função é dar-lhes todos os alicerces para que sejam felizes, autónomos, seguros e realizados. 
Dar muito amor e liberdade com responsabilidade.
É importante que saibam que todas as escolhas acarretam consequências. Às vezes acertamos, outras não.
A sorte também se constrói e ter uma atitude positiva perante a vida é uma escolha. 
As pessoas querem e sonham muitas coisas para nós, mas temos de viver de acordo com o que somos. 
Só cada um de nós sabe o que nos realiza, o que nos faz vibrar e sentir vivos.
Os dias existem para os vivermos em plenitude.  
Viajar e conhecer é uma riqueza.
A vida é um lugar cheio de adversidades, e essa é também a beleza dela. 
Acordar ao vosso lado, meus amores, é o maior privilégio que tenho.



segunda-feira, 7 de março de 2016

Faz parte



As coisas menos boas fazem parte.
Não dormir a noite inteira. Não dormir nada.
Foi a primeira vez em seis meses. 
A Maria toda entupida. Dificuldade em mamar. Toda refilona.
Esta parte é dura.
Vemos o nosso bebé mal. 
Os rapazes ficam preocupados com a irmã.
(São os melhores do mundo com ela) 
Eu fico tão cansada que o final do dia parece não ter fim. 
Mas existe qualquer coisa muito boa que nasce com a maternidade. Que nos dá coragem. Há mesmo.
Ânimo e resiliência.
Não há cansaço que me tire a vontade de encher estes miúdos de beijos.
De os ter por perto e comigo.
A energia deles dá-me força, não me retira, só me acrescenta. 
Todos os dias. 
Este verão terei olheiras e o corpo a precisar de MUITA ginástica (estou sempre a comer. A amamentação é linda mas dá fomeeeeee - eu não me contenho), mas terei igualmente a minha alma feliz.
Feliz.
Só queremos aproveitar a vida ao máximo enquanto eles ainda são tão nossos (com o bom, o muito bom, o mais ou menos e o mau)
Com tudo. 







sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

As ausências


Salvador - 5 anos.  Maria - 5 meses. Vicentinho - 3 anos
Os três manos
Quando estou sem marido, fico sempre meio dormente. 
Já devia estar habituada, mas não. 
A vida é muito mais bonita quando estamos todos juntos. 
Sinto-me grata por sentir estas saudades e este amor tão forte, mas a distância custa sempre. 
Todas as noites faço uma contagem decrescente...
(Não comecei ainda para não desanimar!!!)
Durante o dia estou sempre ocupada com a Maria, a casa, as refeições.
Faço bolos e surpresas para o lanche dos miúdos. 
A estafa no meu corpo é grande.
As noites são ainda muito duras, e nunca consigo descansar durante o dia.
É um gosto estar com os três, apesar de todo o trabalho.
Tê-los por perto.
Tratar deles.
Tudo é uma questão de organização.
Adianto o jantar o mais cedo possível.
(Às dez da manhã já estão legumes no tacho).
De manhã, peço-lhes ajuda para fazermos as camas - quando não têm birras e ainda há tempo.
A Maria acorda às sete, o que dá margem para fazer as coisas com calma.
Aspiro todos os dias e ainda dá uma folga para ir beber café, respirar e desanuviar. 
Quando chegam da escola é duche e brincadeira!!!
O Vicentinho tem uma energia louca.
O Salvador está bastante mais calmo e já é um companheirão. Uma maravilha. 
Ainda estou de licença de maternidade e tenho-me dado bem, mesmo sozinha.
Com energia para me divertir com eles, porque a vida não são só tarefas e obrigações.
Com tempo para encher estes miúdos de beijos e abraços. 
O que sinto mais falta (para além da companhia que é insubstituível) é das torradas que só o meu marido sabe fazer.
As melhores do mundo!!!
E trata de mim enquanto eu estou na preguiça com a Maria.
Mas vou ter de esperar. 
Estamos mais do que adaptados a esta vida, mas as saudades são tramadas.
A Maria está um doce, mas já vai puxando por mim!!!
Os rapazes estão apaixonados pela irmã mas não posso descurar na atenção a cada um deles.
O meu marido diz que nasci para isto, pelo menos vou dando o meu melhor...
Apaixonada por estes miúdos.









sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Cada família é única








Adoramos viajar.
Havendo possibilidade, gostamos muito que os nossos filhos nos acompanhem.
Já viajaram connosco para imensos lugares. Várias horas de avião. 
Partilhamos muito durante esses dias.
Longe das rotinas, conseguimos olhar uns para os outros de maneira diferente. Mais próxima.
Respirar fora daqui sabe muito bem.
Fomos para perto. Ter com pessoas que são uma continuação de nós.
A Maria é tão bebé mas gostou imenso da experiência.
Dormiu muito, recuperou da constipação, uma tranquilidade.
Os rapazes nem se fala!!!
Não existem regras nem para famílias nem para o amor.
Há quem diga que viajar com filhos é um desgaste.
Há quem adore.
Só cada família sabe o que a equilibra.
Não interessa como se organizam, como fazem, interessa apenas que sejam felizes.
E que funcione!!!
A nossa regra de ouro é fazer aquilo que nos faz sentido. 
Fiquei a gravidez toda do Vicentinho em casa, e o primeiro ano de vida dele.
Foram muitas as opiniões. Boas e más.
As pessoas falam como se existissem verdades absolutas.
Não me parece que isso exista.
Acredito que cada família tem a sua dinâmica. E o que faz felizes uns pode não fazer sentido a outros.
É importante que as pessoas sejam mais tolerantes.
Esta viagem correu lindamente.
Estamos muito gratos pela oportunidade,  e de alma cheia por este tempo em família.
Nem sempre conseguimos estar todos.
Eu ainda estou de licença de maternidade e a amamentação continua em exclusivo.
Estamos em preparação para mais uma ausência do Rui.
São sete dias que esticam. Parecem três meses.
As roupas, a casa e os miúdos ocupam-me o tempo todo. É de loucos. Muito trabalho para uma pessoa sozinha. (E nem conto com os imprevistos como doenças, cabeçadas, enfim...)
Mas a separação custa sempre, dói.
Ainda mais com a Maria tão bebé e as birras do Vicentinho.
Existe uma grande probabilidade de ficar exausta e não conseguir vir aqui.
Mas as palavras, as piadas, as birras, o mau feitio, as noites sem dormir, o tempo com eles vale tudo.
Não trocava isto por nada.
Esta é a melhor viagem...












quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

O caminho...

Maria cada vez maior 
Sempre fui miúda de sair, de aproveitar bem a vida, mas sempre fui igualmente aplicada. 
Aos 18 anos fui estudar para fora de Lisboa. 
Sempre dividi quartos e casas. Aprendi a cozinhar. A partilhar. 
Também sou a mais nova de sete irmãos. 
A minha vida {familiar e de estudante} foi sempre cheia de pessoas. De lugares. De desafios.
É bom. 
Aprendi a ser tolerante. 
A procurar semelhanças em vez de diferenças. A gerir conflitos. Ser paciente.
A olhar para os outros.     
Só me fez bem. 
Aprendi muito. Sobre mim e sobre os outros. 
Criei laços intensos com quem partilhei estas etapas. E assim continuo.
Viver é ter esta entrega.
Esta partilha.
Cá por casa é assim.
Não queremos verdades absolutas.
Educar é a maior responsabilidade que há. 
Os miúdos aprendem com exemplos.
Quero filhos tolerantes e generosos. 
Não os quero egoístas. Vaidosos. Manipuladores. Virados só para eles.
Quero miúdos felizes. Capazes. 
Quero que sintam e apreciem. 
É exatamente por isso, que lhe dou os dois bens mais preciosos que tenho: o meu amor e o meu tempo.
E eles dão-me a vida.