sexta-feira, 19 de fevereiro de 2016

Cada família é única








Adoramos viajar.
Havendo possibilidade, gostamos muito que os nossos filhos nos acompanhem.
Já viajaram connosco para imensos lugares. Várias horas de avião. 
Partilhamos muito durante esses dias.
Longe das rotinas, conseguimos olhar uns para os outros de maneira diferente. Mais próxima.
Respirar fora daqui sabe muito bem.
Fomos para perto. Ter com pessoas que são uma continuação de nós.
A Maria é tão bebé mas gostou imenso da experiência.
Dormiu muito, recuperou da constipação, uma tranquilidade.
Os rapazes nem se fala!!!
Não existem regras nem para famílias nem para o amor.
Há quem diga que viajar com filhos é um desgaste.
Há quem adore.
Só cada família sabe o que a equilibra.
Não interessa como se organizam, como fazem, interessa apenas que sejam felizes.
E que funcione!!!
A nossa regra de ouro é fazer aquilo que nos faz sentido. 
Fiquei a gravidez toda do Vicentinho em casa, e o primeiro ano de vida dele.
Foram muitas as opiniões. Boas e más.
As pessoas falam como se existissem verdades absolutas.
Não me parece que isso exista.
Acredito que cada família tem a sua dinâmica. E o que faz felizes uns pode não fazer sentido a outros.
É importante que as pessoas sejam mais tolerantes.
Esta viagem correu lindamente.
Estamos muito gratos pela oportunidade,  e de alma cheia por este tempo em família.
Nem sempre conseguimos estar todos.
Eu ainda estou de licença de maternidade e a amamentação continua em exclusivo.
Estamos em preparação para mais uma ausência do Rui.
São sete dias que esticam. Parecem três meses.
As roupas, a casa e os miúdos ocupam-me o tempo todo. É de loucos. Muito trabalho para uma pessoa sozinha. (E nem conto com os imprevistos como doenças, cabeçadas, enfim...)
Mas a separação custa sempre, dói.
Ainda mais com a Maria tão bebé e as birras do Vicentinho.
Existe uma grande probabilidade de ficar exausta e não conseguir vir aqui.
Mas as palavras, as piadas, as birras, o mau feitio, as noites sem dormir, o tempo com eles vale tudo.
Não trocava isto por nada.
Esta é a melhor viagem...












quarta-feira, 10 de fevereiro de 2016

O caminho...

Maria cada vez maior 
Sempre fui miúda de sair, de aproveitar bem a vida, mas sempre fui igualmente aplicada. 
Aos 18 anos fui estudar para fora de Lisboa. 
Sempre dividi quartos e casas. Aprendi a cozinhar. A partilhar. 
Também sou a mais nova de sete irmãos. 
A minha vida {familiar e de estudante} foi sempre cheia de pessoas. De lugares. De desafios.
É bom. 
Aprendi a ser tolerante. 
A procurar semelhanças em vez de diferenças. A gerir conflitos. Ser paciente.
A olhar para os outros.     
Só me fez bem. 
Aprendi muito. Sobre mim e sobre os outros. 
Criei laços intensos com quem partilhei estas etapas. E assim continuo.
Viver é ter esta entrega.
Esta partilha.
Cá por casa é assim.
Não queremos verdades absolutas.
Educar é a maior responsabilidade que há. 
Os miúdos aprendem com exemplos.
Quero filhos tolerantes e generosos. 
Não os quero egoístas. Vaidosos. Manipuladores. Virados só para eles.
Quero miúdos felizes. Capazes. 
Quero que sintam e apreciem. 
É exatamente por isso, que lhe dou os dois bens mais preciosos que tenho: o meu amor e o meu tempo.
E eles dão-me a vida. 









quinta-feira, 4 de fevereiro de 2016

A mãe que sou

Maria

Descontraída.
Agradecida.
Uma chata - sempre a dar beijos!!!
Adoro quando o sol entra pela manhã.
É a vida a dar os bons dias, enquanto trato deles.
Vão para a escola. A Maria fica como filha única durante o dia.
(Arranjo sempre tempo para cada um deles).
Vivo para o presente. 
Para beijar estes miúdos todos os dias.
Para os ver crescer, devagarinho.
É tudo tão finito. Tão frágil.
Quero passar com eles o máximo de tempo possível.
Tento não andar a mil, discutir, ou estar inquieta. 
A ideia é educar mas divertir-me.
Gosto quando andamos todos juntos, e vamos quase sempre em família para todo o lado.
Sou ansiosa mas levo o dia a dia com tranquilidade.
Este desafio diário dá-me muita felicidade.
Descobrir o mundo com eles é absolutamente fabuloso.
Também tenho momentos de aflição/pânico/adrenalina/tristeza, mas são isso: momentos.
Mais do que qualquer outra coisa, valorizo o tempo em família.
Amo incondicionalmente cada uma destas pessoas que partilha a vida comigo.
Nem sempre fui assim tão segura. Foi um caminho com muitos tropeções.
É como os bebés, a experiência ajuda muito. 
A Maria foi a bebé que correu melhor.
Dei muito mais ouvidos ao meu instinto de mãe.
Não usa chucha. Não sofreu de cólicas. É raro chorar. 
Amamento em exclusivo. Sem horários. E faço-o com a maior naturalidade. Em qualquer lugar.
É uma fase maravilhosa que passa depressa. 
São uns meses PRECIOSOS em que nos dedicamos a encher um bebé de amor.
A Maria é gigante. Dizem que o que a engorda não é o leite mas a santidade!!! 
Mesmo nos dias cinzentos, em que estamos todos cansados, fartos e desalinhados, uma família é uma bênção. 

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Maternidade





A Maria vai fazer cinco meses e está só a leite materno. 
Lá vou tentando introduzir a papa mas está difícil. O biberão não pega!!!. 
Este "tempo inteiro" de mãe e filha é fundamental. 
As licenças de maternidade não são férias.
São fundamentais para o desenvolvimento físico e emocional dos bebés, e para a recuperação da mãe.
A vida (e neste caso também estou a falar de uma vida que acabou de chegar) precisa de entrega. De tempo. De calma. De paz. 
É das fases mais exigentes e mais maravilhosas. 
Sou apaixonada pela maternidade - o que torna tudo bastante mais fácil.
És uma bebé encantadora Maria. 
Os teus irmãos apaixonados por ti. 
Durante a noite, há sempre um de vocês que chama por mim. Às vezes chamam todos. 
Não durmo sestas, há sempre refeições para preparar, roupa para tratar, a casa de pantanas, e eu que também preciso de tempo!!! 
{Mulher feliz - mãe feliz} 
Durante estes meses, tenho acordado e adormecido ao vosso lado, todos os dias. 
Assoo-vos. Dou os banhos. Os mimos todos. Seguro as pontas. 
Tiro fotografias e encho-vos de beijos. 
Faço tudo isto por amor. Por gosto. 
Pela entrega e paixão que vos tenho. Que nos tenho. 
A vida corre. Não nos apercebemos desta corrida. Só sentimos o peso da competição quando a idade já pesa, e o tempo já foi. 
Meus amores: eu estou aqui.
Mesmo quando não estou, eu estou.
Estou sempre.
Este amor é absoluto. Inteiro. Só vosso.
Vamos aproveitar o tempo que nos resta.
Em que somos só uns dos outros.
Amo-vos. 
Amo-vos.
Amo-vos. 




terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Saudades

Maria a olhar para os manos

A casa está cheia de filhos, barulhos e desassossego - faltas tu. 
Faltas-me tu.
Eu tenho sobrevivido bem aos ranhos, às sopas, às birras e aos ataques de mimo. 
A Maria está gigante. 
O nosso filho do meio acordou cheio de mimo, e pediu para ir para casa da avó.
O Salvador chega todos os dias cheio de novidades e tem dormido com as meias do Sporting. 
Tenho embalado sozinha a Maria de noite.
Não te tenho para te rires comigo.
Nem para me fazeres as torradas maravilhosas de manhã. 
Mas estou aqui.
E estou feliz. Mesmo feliz. 
Ansiosa que chegues. 
Cheia de saudades. 
Também pela ajuda, mas muito mais pela vontade do teu abraço. 






sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Vida a cinco

Quatro era perfeito, mas ainda melhorou.
Dá trabalho - pois dá - muito.
Muito cansaço. Muito espírito de sacrifício. Não me lembro de dormir quatro horas seguidas. 
Há sempre um que acorda.
Em menos de cinco anos foram três filhos.
São cheios de vida. De ritmo. De alegria.
São o sol com pernas. 
Os rapazes estão encantados com a Maria.
O Vicentinho regrediu um bocado. Está mais bebé, mas acalmou.
Está reguila e meigo. 
O Salvador deu um pulo. Irmão mais velho, todo ligado a nós.
É o meu companheiro. Muito sensível, meigo e protetor como nunca vi.
Adoro isto que disse:
-Amanhã queres que seja a mãe a levar-te? (sei que ele ADORA)
-Mãe só se estiver sol. Não podes apanhar frio!!!
A Maria está um sonho. 
Só a leite materno. 
Tão boa de peso que nem precisa de papas.
Uma gulosa. 
Perco-me nestas bochechas redondas. 
O tempo está a andar demasiado depressa.
Esta é a melhor altura porque ainda são muito meus.
Têm um cuidado enorme comigo.
Enchem-me de beijos e abraços antes de caírem no sono.
Não trocava a vida adulta por nada, mesmo com todas as responsabilidades. 
As cambalhotas financeiras, estica daqui, puxa dali. 
Mesmo com todo o cansaço, as refeições, as roupas e tanto que nos é exigido. 
Às vezes preciso de ajuda, e peço.
Não tento ser a super-mulher.
Sou uma mulher comum, com fé no futuro, a tentar educar três futuros adultos, com todo o amor que tenho. E todo o amor que tenho, é deles. 
TODO.


Maria quatro meses 

Amor gigante





sábado, 2 de janeiro de 2016

Sobre a vida



Eu não estou só viva, eu sinto-me viva.
Sinto a vida em tudo.
No acordar - quando nos vejo acordar em família. 
Quando o sol bate na janela ou a chuva me encharca a roupa.
Em todos os segundos da nossa existência.
Quando saltam para a nossa cama e nos enchem de beijos.
Quando fazem birras e precisam de nós.
Quando fecho os olhos e me lembro de tudo o que já fizemos.
Sou intuitiva e emotiva.
Sigo os meus instintos.
Sou do colo, de sentir, agarrar, amar, aproveitar, agradecer.
Adoro a fase da amamentação.  
Sou a mãe que não tem pressa nem timings para tudo.
Não tomo decisões que me angustiem só porque é suposto. 
Vivo os meus sonhos. 
Procuro e trabalho pelos dias felizes. 
Aproveito os dias - mesmo os que são duros e exigentes. 
Os que estou sozinha com eles, que me sinto exausta, cansada, desesperada.
São esses dias que me fazem ser tão grata pelos dias de sol.
Sou dos afetos e das palavras.
Sou inteira e dedicada.
Sou uma mulher e mãe cheia de fragilidades e de paz.
Estou onde sempre sonhei estar. 
Falta-me o alentejo (vivi lá a minha infância)
Falta-me tempo para amar ainda mais.
Dar de mim aos outros - e tantos projetos que tenho relacionados com isso. 
Lembro-me do cheiro a açúcar e canela das boleimas.
Lembro-me quando peguei, pela primeira vez, numa enxada.
E quando dei, pela primeira vez, comida aos porcos.
Ainda tenho o cheiro a terra presente.
Tive uma casa na árvore. 
E um tanque. 
Vive em mim sempre esta vontade de querer ir, de querer conhecer, de arriscar. 
Odeio este trânsito, estas pressas e obrigações que roubam o tempo às pessoas. 
E enquanto estava a escrever isto, leio esta carta de uma avó para a neta: aqui do blog A Mãe é sabe. 

"(...) Digo-te, com a fragilidade que estas palavras encerram, que me ensinas todos os dias que a verdade da vida explode nas coisas simples que me dás, gratuita e genuinamente, na força dos teus abraços, na alegria espontânea desse olhar puro que me enche a alma.
(...)

Seria tão mais fácil aos homens, sabes estas pessoas que se dizem adultos, aprenderem contigo que a vida se está a descobrir, assim minuto a minuto.
(...)

Meu amor, trazes contigo a energia vital que poderia impedir os medos do mundo, trazes contigo essa suspensão dos receios que inibem o mundo girar em torno do que verdadeiramente interessa, amor, confiança, persistência.
(...)

Como disse Mia Couto, "a vida é tão simples que ninguém a entende"… "

Um beijo a esta avó que sente assim a neta e a vida. 
Que escreveu o que sinto, exatamente o que sinto.
E a todas as pessoas do mundo que se entregam assim de corpo e alma.
Amo-vos filhos, muito mais do que alguma vez vão conseguir imaginar.
Mas muito mais do que amar, eu aproveito ao máximo a vida ao vosso lado.
E isso para mim é viver.