sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Vida a cinco

Quatro era perfeito, mas ainda melhorou.
Dá trabalho - pois dá - muito.
Muito cansaço. Muito espírito de sacrifício. Não me lembro de dormir quatro horas seguidas. 
Há sempre um que acorda.
Em menos de cinco anos foram três filhos.
São cheios de vida. De ritmo. De alegria.
São o sol com pernas. 
Os rapazes estão encantados com a Maria.
O Vicentinho regrediu um bocado. Está mais bebé, mas acalmou.
Está reguila e meigo. 
O Salvador deu um pulo. Irmão mais velho, todo ligado a nós.
É o meu companheiro. Muito sensível, meigo e protetor como nunca vi.
Adoro isto que disse:
-Amanhã queres que seja a mãe a levar-te? (sei que ele ADORA)
-Mãe só se estiver sol. Não podes apanhar frio!!!
A Maria está um sonho. 
Só a leite materno. 
Tão boa de peso que nem precisa de papas.
Uma gulosa. 
Perco-me nestas bochechas redondas. 
O tempo está a andar demasiado depressa.
Esta é a melhor altura porque ainda são muito meus.
Têm um cuidado enorme comigo.
Enchem-me de beijos e abraços antes de caírem no sono.
Não trocava a vida adulta por nada, mesmo com todas as responsabilidades. 
As cambalhotas financeiras, estica daqui, puxa dali. 
Mesmo com todo o cansaço, as refeições, as roupas e tanto que nos é exigido. 
Às vezes preciso de ajuda, e peço.
Não tento ser a super-mulher.
Sou uma mulher comum, com fé no futuro, a tentar educar três futuros adultos, com todo o amor que tenho. E todo o amor que tenho, é deles. 
TODO.


Maria quatro meses 

Amor gigante





sábado, 2 de janeiro de 2016

Sobre a vida



Eu não estou só viva, eu sinto-me viva.
Sinto a vida em tudo.
No acordar - quando nos vejo acordar em família. 
Quando o sol bate na janela ou a chuva me encharca a roupa.
Em todos os segundos da nossa existência.
Quando saltam para a nossa cama e nos enchem de beijos.
Quando fazem birras e precisam de nós.
Quando fecho os olhos e me lembro de tudo o que já fizemos.
Sou intuitiva e emotiva.
Sigo os meus instintos.
Sou do colo, de sentir, agarrar, amar, aproveitar, agradecer.
Adoro a fase da amamentação.  
Sou a mãe que não tem pressa nem timings para tudo.
Não tomo decisões que me angustiem só porque é suposto. 
Vivo os meus sonhos. 
Procuro e trabalho pelos dias felizes. 
Aproveito os dias - mesmo os que são duros e exigentes. 
Os que estou sozinha com eles, que me sinto exausta, cansada, desesperada.
São esses dias que me fazem ser tão grata pelos dias de sol.
Sou dos afetos e das palavras.
Sou inteira e dedicada.
Sou uma mulher e mãe cheia de fragilidades e de paz.
Estou onde sempre sonhei estar. 
Falta-me o alentejo (vivi lá a minha infância)
Falta-me tempo para amar ainda mais.
Dar de mim aos outros - e tantos projetos que tenho relacionados com isso. 
Lembro-me do cheiro a açúcar e canela das boleimas.
Lembro-me quando peguei, pela primeira vez, numa enxada.
E quando dei, pela primeira vez, comida aos porcos.
Ainda tenho o cheiro a terra presente.
Tive uma casa na árvore. 
E um tanque. 
Vive em mim sempre esta vontade de querer ir, de querer conhecer, de arriscar. 
Odeio este trânsito, estas pressas e obrigações que roubam o tempo às pessoas. 
E enquanto estava a escrever isto, leio esta carta de uma avó para a neta: aqui do blog A Mãe é sabe. 

"(...) Digo-te, com a fragilidade que estas palavras encerram, que me ensinas todos os dias que a verdade da vida explode nas coisas simples que me dás, gratuita e genuinamente, na força dos teus abraços, na alegria espontânea desse olhar puro que me enche a alma.
(...)

Seria tão mais fácil aos homens, sabes estas pessoas que se dizem adultos, aprenderem contigo que a vida se está a descobrir, assim minuto a minuto.
(...)

Meu amor, trazes contigo a energia vital que poderia impedir os medos do mundo, trazes contigo essa suspensão dos receios que inibem o mundo girar em torno do que verdadeiramente interessa, amor, confiança, persistência.
(...)

Como disse Mia Couto, "a vida é tão simples que ninguém a entende"… "

Um beijo a esta avó que sente assim a neta e a vida. 
Que escreveu o que sinto, exatamente o que sinto.
E a todas as pessoas do mundo que se entregam assim de corpo e alma.
Amo-vos filhos, muito mais do que alguma vez vão conseguir imaginar.
Mas muito mais do que amar, eu aproveito ao máximo a vida ao vosso lado.
E isso para mim é viver. 

quinta-feira, 24 de dezembro de 2015

Feliz Natal


Quando conheci o meu marido, apaixonei-me imediatamente.
Soube naquele segundo que era ele.
Naquele segundo.
Temos três filhos e a vida agitada correspondente a isso.
Não fizemos nada mais do que dar continuidade ao amor que sentimos.
Três filhos.
Três vidas.
O nosso Natal é isso. 
Partilhamos tudo o que temos com quem amamos, todos os dias. 
Valorizamos cada amigo - temos verdadeiros amigos.
Cada telefonema.
Cada segundo juntos. 
Temos um filho agitado, uma filha calma e o mais velho é o meio termo. 
Temos o Pai Natal que nos visita e enche os olhos dos meus filhos de emoção.
Tenho o espírito de Natal a viver no nosso coração.
E a minha melhor prenda e a única que quero para o resto da vida: é esta família. 
{Feliz Natal a todos e um beijo gigante nosso}

domingo, 13 de dezembro de 2015

Vida a CINCO

Ser mãe de três têm sido uma maravilha.
Maravilha das maravilhas.
O paraíso na terra. 
Há a parte da estafa. 
Pouco tempo a dois. 
A vida corre a uma velocidade louca.
Parece que os miúdos crescem todos os dias - juro.
Só queremos aproveitar tudo.
Não pensamos muito no amanhã porque com tantas tarefas nem dá. 
O hoje é vivido com bastante intensidade e ADRENALINA.
Quando preciso peço ajuda.
A minha sogra vai mimando os netos - com tempo para cada um deles. 
{É bom serem filhos/netos únicos, de vez em quando}. 
Perguntam-me como me organizo quando estou sozinha: não me organizo muito.
Durante o dia quando os rapazes estão na escola, tenho sempre a Maria e a casa.
É uma desorganização - organizada.
Faço sempre sopa. Tenho sempre futa.
Depois oriento as tropas conforme dá.
Dos momentos que mais adoro: as manhãs.
Vê-los acordar. 
Um a um.
Com o mimo no corpo.
Chegam a mim cheios de abraços, beijos e palavras bonitas.
E ainda hoje me emocionei. 
Porque me senti absolutamente agradecida.
O Salvador está sempre a dizer que é um sortudo por me ter como mãe!!!
{Ele tem cinco anos e não sabe bem o que diz!!!} - ahahahahaahahha
Tenho um cansaço tão grande que decidi cortar a franja e agora odeio. 
{Tinha de arranjar um culpado!!! - o cansaço}
O amor dos rapazes pela irmã é qualquer coisa de maravilhoso.
Aproveito isto tudo, porque daqui a uns meses é provável que andem todos à batatada!!!
Nasci para isto.
Para ser mãe.
{O meu marido também adora} - e é um pai/marido BESTIAL.
{Não se deve gabar muito mas ele merece} 
Construir uma família exige muita dedicação mas é a maior bênção desta vida.
Amo estes miúdos. 
E se não fossem outras questões... não seríamos pais de três, seríamos de quatro ou cinco!!!

Eu e Maria com três meses!!! jááááááááááááá

Apaixonadas






segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Ser o terceiro

Ser o terceiro bebé nesta família de rapazes é uma delícia.
A Maria não tem o tempo todo para ela mas tem o amor de todos. 
Não a largamos.
O terceiro bebé chega em paz e quase sem cólicas {o universo sabe o que faz}.
Dorme bem e alimenta-se em exclusivo a leite materno.
Adormece nos braços dos irmãos.
O terceiro bebé chega cheio de paz.
E une - ainda mais - a família. 
Os dias são meio caóticos.
As noites {enfim} já não sei a diferença entre o dia e a noite.
(Ou é um, o outro...) 
O terceiro bebé nesta família de rapazes veio na altura certa.
A Maria é mesmo cheia de graça.
Estamos muito, muito felizes. 
Sinto-me meio perdida - entre o cansaço e a azáfama. 
Tenho sono. 
Uma fome terrível - culpa da amamentação. 
Tenho momentos maus - de muito cansaço. 
Uma família dá muito trabalho, é preciso muito espírito de sacrifício...
Mas a recompensa É GIGANTE.
GIGANTE.
O amor incondicional. 
É isto que vou levar da vida.
Este amor.
Esta entrega.





sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Estamos apaixonados

Eu e o meu marido somos perdidos por bebés.
O Salvador e o Vicente também.
{São os melhores irmãos do mundo. Pacientes. Ternurentos. Sem cobranças}.
Das coisas que mais quero: que sejam amigos e unidos sempre.
Tive de quebrar algumas regras para que se sentissem todos em paz.
Podem adormecer comigo. Os três. 
No meu colo cabem todos.
Adormecem e depois são distribuídos pelas camas.
As manhãs são calmas com tempo para cada um {quando é possível}.
Primeiro acordo e trato de um, e depois do outro. 
(Embora na maioria das vezes seja a loucura com direito a birras e Nestum no chão)
A Maria alimenta-se deste mimo.
Dorme bem. 
É uma paz.
Um presente de Deus.
Mas é um bebé. 
Eu ando cansada - constipada.
Tento chegar a todos. 
Estou muitas vezes sozinha com os três. 
É duro, muito duro - são muito seguidos.
Mas não me lamento - nem pensar.
Quando me sinto exausta e no limite da paciência, lembro-me que provavelmente esta é uma das melhores fases da minha vida.
Sou apaixonada por eles.
Mesmo quando estão cheios de energia e a fazer disparates.
Nada é perfeito.
Não há pessoas perfeitas, trabalhadores perfeitos, maridos, mulheres, filhos, professores, amigos, famílias perfeitas.
Exigimos muito de nós e dos outros.
Cada vez sou menos assim. Trabalho para isso.
Aceito-me a mim (tentando melhorar todos os dias) e aceito os outros.
Ou gosto e quero as pessoas para a minha vida como são - sem as tentar mudar, ou não quero.
Quem gosta de nós, não gosta às vezes, quando convém, ou quando tudo corre bem. 
Quem gosta de nós - gosta sempre. 
Gosta "sem quê nem porquê".
Sou pela entrega inteira.
A maternidade tem os dois extremos: 
Do amor profundo ao cansaço gigante.
Físico e psicológico.
Não respondo a quem compara uma licença de maternidade a uma escapadela às Caraíbas. 
Educar estes miúdos é delicioso mas extremamente exigente.
É a maior responsabilidade da vida.
É um desafio.
Mas é o que mais me apaixona.
Para estar onde estou, fiz escolhas.
Deixei coisas para trás.
Ninguém tem tudo...
Mas eu sinto que tenho mais do que tudo: eles.

{Aprenda mais bonita que a vida me deu: esta família. Todos os dias agradeço. Todos os dias a construímos}.

Maria - dois meses e meio

Maria - dois meses e meio (a dormir - uma paz)

Três - a conta que Deus fez. Os manos




segunda-feira, 16 de novembro de 2015

Primeiros!!!!

(Fomos os primeiros a fazer a árvore?!)
Novembro. 
Uma casa cheia de filhos - {três já são alguns!!!}
Um comboio - adoro o comboio - na árvore de Natal. 
Desde miúda que este dia faz parte do meu imaginário - e CHEGOU AGORA.
Sempre me imaginei como estou hoje.
Nem melhor, nem pior - assim. 
Com uma família, filhos e uma vida agitada. 
Acho que dormir até ao meio dia é um desperdício {embora eu esteja a precisar!!!}, e a vida é para se viver - com entrega.
Ser mãe é o que me define. 
O que me realiza. 
A minha verdadeira vocação é esta. 
É por isso que sou tão grata.
Devagar fui subindo os degraus. 
Caí das escadas algumas vezes, mas todas as escolhas foram válidas, porque me trouxeram até aqui. 
Nunca fiz grandes planos, porque a vida tem planos diferentes e manda muito mais do que eu.
Mas sonhei com este dia {e com dias como este}.
O que me faz verdadeiramente feliz é conseguir proporcionar momentos felizes.
É isso. 
Os miúdos deliram com esta época - e eu TAMBÉM. 
Adoro que acreditem no pai Natal.
Que a nossa árvore de Natal seja enfeitada com desenhos, fotografias e coisas feitas por eles.
Estão desde a Páscoa a falar no Natal. 
Foi impossível adiar mais.
A árvore está linda e as crianças felizes!!!
Este Natal ainda mais especial com a Maria tão bebé.